Forbes revela os 10 maiores bilionários do Brasil em 2025: Eduardo Saverin lidera com R$ 227 bilhões

Forbes revela os 10 maiores bilionários do Brasil em 2025: Eduardo Saverin lidera com R$ 227 bilhões

O top 10 em 2025

A nova edição do ranking da Forbes Brasil trouxe um retrato direto da riqueza no país: Eduardo Saverin continua no topo, agora com R$ 227 bilhões, um salto de 45,5% em um ano. A lista, na 13ª edição, mostra que as maiores fortunas seguiram caminhos bem diferentes em 12 meses — algumas dispararam, outras encolheram — e que o peso de setores como tecnologia, bancos, consumo e saúde segue determinante.

Em segundo lugar, Vicky Sarfati Safra e família somam R$ 120,5 bilhões, avanço de 9,4%. No terceiro posto, Jorge Paulo Lemann aparece com R$ 88 bilhões, queda de 4,2% na comparação com 2024. André Esteves, do BTG Pactual, subiu para a quarta posição ao chegar a R$ 51 bilhões, com uma das altas mais fortes do ano: 56%.

A família Moreira Salles ocupa duas cadeiras no top 10: Fernando Roberto está em quinto, com R$ 40,2 bilhões (+4,5%), e Pedro em sétimo, com R$ 38 bilhões (+5,1%). Entre os sócios da 3G Capital, Carlos Alberto Sicupira ficou em sexto, com R$ 39,1 bilhões, após recuo de 20,8%, e Alexandre Behring está em nono, com R$ 31 bilhões (-11,1%).

O oitavo lugar é de Miguel Krigsner, fundador do O Boticário, que alcançou R$ 34,2 bilhões (+19,2%). Fechando o top 10, Jorge Moll Filho, da Rede D'Or, teve a virada mais impressionante do ano: R$ 30,4 bilhões, alta de 119,1%.

  • 1º — Eduardo Saverin: R$ 227 bilhões (+45,5%)
  • 2º — Vicky Safra e família: R$ 120,5 bilhões (+9,4%)
  • 3º — Jorge Paulo Lemann: R$ 88 bilhões (-4,2%)
  • 4º — André Esteves: R$ 51 bilhões (+56%)
  • 5º — Fernando Roberto Moreira Salles: R$ 40,2 bilhões (+4,5%)
  • 6º — Carlos Alberto da Veiga Sicupira: R$ 39,1 bilhões (-20,8%)
  • 7º — Pedro Moreira Salles: R$ 38 bilhões (+5,1%)
  • 8º — Miguel Gellert Krigsner: R$ 34,2 bilhões (+19,2%)
  • 9º — Alexandre Behring da Costa: R$ 31 bilhões (-11,1%)
  • 10º — Jorge Neval Moll Filho: R$ 30,4 bilhões (+119,1%)

O topo do ranking deixa claro como o humor do mercado pesa nas fortunas. Tech e saúde brilharam entre 2024 e 2025; consumo e bebidas tiveram um ano mais volátil. A fotografia é de um país com concentração de riqueza ainda grande, mas com mudanças relevantes dentro do próprio clube dos mais ricos.

O que mudou no ano e o retrato completo

O que mudou no ano e o retrato completo

No agregado, o Brasil soma agora 300 bilionários (240 homens e 60 mulheres) com patrimônio somado acima de R$ 1,6 trilhão. A maioria viu dinheiro crescer: 56,3% ficaram mais ricos. Para 20,6%, a conta encolheu. E só um nome ficou exatamente no mesmo patamar do ano passado. Ou seja, 2025 foi um ano de movimentos — para cima e para baixo.

Quem subiu mais forte? Além do salto de André Esteves, o avanço de Jorge Moll Filho chama atenção. Mudanças de preço de ações, reavaliações de ativos e resultados operacionais pesam muito nessas curvas. No outro lado, os recuos de Sicupira e Behring refletem um ano mais difícil para partes do portfólio ligado a consumo e bebidas, sensíveis a margens e a ciclos globais de demanda.

A única mulher entre os dez primeiros é Vicky Safra. Isso resume a desigualdade: apenas 20% dos 300 bilionários são mulheres. A presença feminina cresce, mas ainda devagar. Mesmo entre famílias tradicionais, a ascensão ao top 10 não é simples, depende de governança, sucessão e desempenho setorial. O destaque de Vicky, amparada por um legado bancário robusto e diversificado, mostra como conglomerados financeiros sustentam riqueza por longos ciclos.

Outro dado que mexe com o mapa da elite é a chegada de 31 estreantes. Entre eles, Iris Pássaro Abravanel e as filhas herdaram R$ 6,4 bilhões após a morte de Silvio Santos, em agosto de 2024. Heranças, reorganizações societárias e eventos de liquidez — vendas de participações, dividendos extraordinários — costumam empurrar novos nomes para a lista. Em 2025, não foi diferente.

Por trás dos números, há método. A Forbes compila participações em empresas de capital aberto marcadas a preço de mercado, avalia negócios fechados por múltiplos de comparáveis e ajusta por endividamento. Pode parecer um detalhe técnico, mas isso é o que transforma alta de ações, fusões e mudanças operacionais em bilhões a mais (ou a menos) no papel.

Eduardo Saverin, que lidera pelo segundo ano seguido, é um bom exemplo do peso da tecnologia. Quando a percepção sobre crescimento e lucro melhora, o valor das plataformas digitais dispara — e os sócios vão junto. O inverso também vale: quem tem fortuna atrelada a setores cíclicos sente mais os solavancos.

O caso de Miguel Krigsner, do O Boticário, ajuda a entender outra força por trás da lista: marcas fortes em consumo de massa. Em anos de renda um pouco mais estável e melhora de confiança, a beleza e o autocuidado tendem a ganhar tração. Já no sistema financeiro, a combinação de juros em trajetória de queda e lucro robusto favorece bancos e gestoras de ativos, o que explica parte do avanço de Andre Esteves e a resiliência dos Moreira Salles.

Saúde virou vetor de alta. A posição de Jorge Moll Filho, com a Rede D’Or, mostra apetite do mercado por empresas com escala, integração e oferta privada de serviços hospitalares. Com envelhecimento da população e demanda reprimida por procedimentos, o setor tende a ter ciclos longos de investimento, o que se reflete nos múltiplos.

Há também a leitura setorial da 3G Capital. Lemann se mantém no pódio, mas teve um ano de ajuste, enquanto Sicupira e Behring recuaram. Empresas globais de consumo e bebidas enfrentam desafios de margem, custo e mudança de hábito. Quando a pressão aperta, o patrimônio dos controladores sente. Em contrapartida, movimentos de eficiência e desalavancagem podem virar o jogo rapidamente — e isso costuma aparecer no ranking do ano seguinte.

Olhando além do top 10, a lista de 300 nomes reforça a diversidade da origem da riqueza no país: tecnologia, bancos, bebidas, varejo, saúde, cosméticos e mídia puxam o bonde. Essa mistura explica por que 56,3% enriqueceram no ano: quem estava exposto aos setores em alta surfou; quem não estava, patinou. E só um patrimônio ficou exatamente parado, o que diz muito sobre a volatilidade de um ciclo em transição.

O que esperar daqui para frente? Se o crescimento ganhar fôlego, juros seguirem mais baixos e o mercado de capitais continuar ativo, a dinâmica deve favorecer ativos de risco e empresários com apetite para expansão. Mudanças regulatórias, câmbio e eventos corporativos (vendas, fusões, IPOs) também podem virar o pêndulo. A história mostra que o topo muda menos que o miolo; é no meio da tabela que surgem as surpresas, os estreantes e as quedas mais bruscas.

Mesmo com concentração alta, o clube dos bilionários do Brasil não é estático. O ranking de 2025 confirma isso: há continuidade no topo, novas fortunas entrando e um espelho claro dos setores que ditam o ritmo do dinheiro no país.